Você tem curiosidade de saber como é feita a avaliação de carros usados em uma negociação? Existem vários aspectos que precisam ser conferidos e eles vão muito além do visual e da quantidade de quilômetros rodados.
Por isso, muitas das vezes, é necessário contar com algum profissional (como um mecânico), que tem um olhar mais apurado para identificar problemas que nós não conseguiríamos perceber sem o conhecimento.
Pensando nisso, resolvemos elaborar este artigo e mostrar para você quais critérios devem ser considerados em uma venda de carros usados. Quer saber um pouco mais sobre o assunto e aprender a fugir de possíveis problemas? Ou você é a pessoa que quer vender e não deseja receber um valor menor que deveria? De qualquer forma, continue conosco e acompanhe a leitura!
Qual é a importância da avaliação de carros usados?
É por meio da avaliação de carros usados que você consegue saber se o veículo tem algum problema específico e, principalmente, se o preço cobrado por ele é justo — se comparado aos benefícios e às desvantagens que a compra oferece naquele momento.
Então, é assim que você consegue evitar aquele rolo que, provavelmente, vai dar muita dor de cabeça e bastantes prejuízos financeiros posteriormente. Portanto, não se esqueça deste conselho: controle a ansiedade e sempre opte pela avaliação do veículo, mesmo que isso atrase um pouco a negociação e o financiamento.
O que é levado em consideração nessa avaliação?
Agora que você já sabe melhor por que deve optar pela avaliação antes de concluir uma compra, vamos mostrar quais aspectos precisam ser considerados nesse momento. Veja quais são eles nos tópicos a seguir.
Aspectos físicos do carro
O estado de conservação, ou seja, a aparência física dos carros é um dos critérios que mais pesam na hora de definir o valor de um veículo usado e também na decisão de compra por parte dos interessados.
Afinal, você compraria um carro que tem uma “cara” meio velha, com manchas na lataria e um espaço interno mal-cuidado? Dificilmente, né? A menos que o valor dele seja bem inferior, de forma que compense os custos que você terá que arcar para fazer uma reforma. É por isso que explicamos ali em cima que essas questões influenciam também o preço de venda dos automóveis.
Sendo assim, ao avaliar um veículo, verifique todas as partes externas, como a pintura, os retrovisores, os para-choques e o desgaste das placas; se as portas estão alinhadas, os vidros estão abrindo e fechando normalmente, entre outras coisas.
A soma de tudo isso é um ótimo termômetro para você saber se o carro foi bem-cuidado pelo dono ou não.
Lataria
Aqui, vale a pena fazer uma avaliação ainda mais detalhada sobre a carroceria do veículo. É importante ter cuidado para não deixar passar batido quaisquer amassados e ondulações, pois eles mostram que, possivelmente, o carro sofreu alguma batida, por exemplo, que gerou a necessidade de contratar um serviço de funilaria.
Por outro lado, se você enxergar bolhas na pintura, desconfie de uma possível ferrugem na lataria. Os arranhões, apesar de não serem um indicativo de problemas passados, podem incomodar você e gerar um gasto com o reparo posteriormente.
Dica: quer saber se a lataria passou por alguma restauração? Envolva um ímã em um pano e passe pela carroceria. Se em algum lugar ele se desprender, é sinal de que, provavelmente, o profissional usou plástico no reparo.
Pintura
Tente avaliar o carro em um lugar bem-iluminado (de preferência sob a luz do sol), pois isso ajuda a identificar ainda melhor quaisquer irregularidades que existirem. Veja se a pintura está bem brilhante em todas as partes, se existem arranhões, ondulações e diferenças no tom entre algumas partes.
No caso de falhas, pode ser um indício de que o veículo passou por algum trabalho de restauração de má qualidade e também que, possivelmente, houve uma batida anteriormente.
Esses problemas são critérios de desvalorização, então não deixe de analisar bem a pintura. Assim, você consegue saber se estão cobrando mais do que o adequado pela venda do carro — e, com isso, evita sofrer a famosa “passada de perna”.
Cor
A cor do carro também pode acabar influenciando o valor do veículo, fazendo com que ele fique mais caro ou mais barato. A lógica é parecida com a dos carros populares, que têm um preço um pouco mais alto (pois desvalorizam menos) devido ao fato de sofrerem muita procura.
Então, se você for comparar o preço desses veículos seminovos, não fica tão distante de um carro novo. Porém, aqueles modelos menos conhecidos são os que mais sofrem desvalorização e, por isso, podem ser negociados com valores mais atraentes.
Voltando para a cor, certamente você sabe que os carros prata, cinza, branco e preto são os que mais vemos por aí, não é mesmo? Por isso, já dá para deduzir que esses veículos terão um preço um pouco mais alto do que um verde ou um amarelo, por exemplo.
Levar esse critério em consideração também é muito importante para o futuro, quando você quiser trocar de carro, se for o caso. Lembre-se que cores diferentes podem fazer com que a dificuldade de se desfazer do automóvel seja maior.
O interior
Ao fazer uma avaliação de carros usados, você também precisa considerar a parte interna, principalmente no que diz respeito ao estado de conservação. Então, é importante verificar diversos pontos, como:
- os bancos: se o estofado está bem-conservado, se existem manchas e se a costura está intacta, por exemplo;
- o porta-luvas: se ele abre normalmente ou se existe algum defeito na porta ou no fechamento dela;
- os tapetes: se estão bem conservados ou se falta alguma peça;
- o estado de conservação do volante, do câmbio, dos abridores das portas e outros elementos que estão na parte de dentro do carro e que podem apresentar algum defeito.
Não se esqueça que essas questões, por menores que sejam, também influenciam o preço do veículo no mercado. Então, se você deseja vender o seu carro e ele apresenta algum problema nesse sentido, precisa saber que isso pode promover alguma desvalorização, mesmo que pequena (e aí, depende do grau de conservação).
Por outro lado, se você é a pessoa que quer comprar um carro, não deixe de fazer essa verificação interna do veículo. Por mais que existam outros aspectos mais relevantes (como a parte mecânica), todos os pontos precisam ser cuidadosamente analisados. Afinal, se o abridor de uma porta está estragado, você terá o gasto de consertá-lo posteriormente.
Nesse caso, nada mais justo do que um descontinho no veículo antes de fechar a negociação, não acha?
A parte mecânica
Depois de fazer uma inspeção na parte física, que é mais fácil de identificar qualquer problema, é o momento de avaliar a parte mecânica. Como aqui as coisas são mais complicadas, é importante que você conte com alguém que tenha conhecimento sobre o assunto — caso você não entenda muito.
Por isso, vale a pena chamar um mecânico de confiança, que vai saber avaliar as questões importantes e indicar a possibilidade de haver algum problema para resolver, o que também afeta o valor do carro.
Imagine, por exemplo, que o motor não esteja em boas condições e necessite de algum reparo mais complexo, que vai custar uma graninha boa. Você não vai querer pagar o valor médio de mercado nesse caso, não é mesmo?
É por isso que essa avaliação de carros usados é tão importante, para que você consiga negociar um valor justo pelo carro que deseja adquirir. Nos tópicos a seguir, mostramos os principais pontos dessa análise.
Motor
Primeiramente, peça para fazer um teste com o carro, dando uma voltinha pela região. Essa é uma excelente maneira de conferir se o motor está funcionando bem ou se existe algum ruído meio estranho, por exemplo.
Para isso, vale a pena passear em locais que colocam o veículo em situações mais exigentes, como um trânsito intenso e a subida de uma ladeira. Nessas horas, possíveis desgastes devem aparecer, seja com falhas, seja com barulhos.
Quilometragem rodada
Carros com uma quilometragem muito alta geralmente são mais evitados pelas pessoas, uma vez que podem indicar que eles sofreram mais desgaste e talvez apresentem problemas com mais frequência — o que fará que você gaste mais com manutenções. É exatamente por isso que eles costumam valer um pouco menos que aqueles menos rodados.
Nessa parte, é importante desconfiar também de possíveis alterações no hodômetro (o nome técnico do equipamento que registra a rodagem do veículo). Infelizmente, essa é uma prática que acontece no mercado, algo que ocorre para tentar concluir a venda com mais rapidez.
Se você achou um carro que atende aos seus desejos e pretende comprá-lo, recorra a uma oficina mecânica mais uma vez e peça para avaliarem se a quilometragem foi alterada. Existem equipamentos próprios para fazer esse tipo de conferência. Assim, você conclui a sua negociação com um pouco mais de segurança.
Revisões
A frequência de revisões também pode ser observada. Se o dono leva o carro para manutenção preventiva com uma frequência razoável (e isso vai além das trocas de óleo), é sinal de que existe um cuidado e que, muito provavelmente, o veículo não vai apresentar nenhuma surpresinha desagradável depois de um tempo.
Pneus
Veja qual é o nível de desgaste dos pneus e se ele é diferente entre os quatro. Caso já estejam além do limite indicado e necessitam de uma troca para o jogo inteiro, saiba que isso também vai influenciar o valor do carro, que deve ser menor — já que o jogo custa cerca de mil reais. Imagina o prejuízo…
Também verifique se eles estão alinhados com os eixos do carro, visto que isso também pode gerar um custo com manutenção. Você pode levar o carro para uma inspeção mecânica, lembrando que existe a possibilidade de ter um laudo com informações sobre tudo que foi avaliado. Viu só como ter um mecânico de confiança é fundamental?
Consumo de combustível
Dificilmente as pessoas querem um carro “beberrão”, né? Se você é dessas pessoas que gostam de economizar, não se esqueça de avaliar qual é o consumo, tanto no trânsito quanto na estrada.
Se você precisa sair bastante com o veículo, como é o caso de quem o utiliza para se deslocar para o trabalho, isso faz toda diferença. No fim do mês (e até mesmo do ano), é possível conseguir uma boa economia financeira.
Custo de manutenção
Todo veículo gera custos com manutenções e eles também são considerados na hora de fazer uma avaliação de carros usados. Nesse sentido, mais uma vez, os carros populares entram em destaque: como eles são mais econômicos (em diversos aspectos), têm um valor de mercado mais alto — principalmente pelo fato de sofrerem menos desvalorização.
Isso significa que um veículo importado, por exemplo, que tem um custo de manutenção elevado e precisa de peças de reposição mais caras, acabará valendo menos na hora de tentar revendê-lo (uma vez que ele sofre uma desvalorização maior depois que sai da concessionária).
Assim, se você vai comprar um carro agora, já sabe que esse também é um fator que afeta o preço e pode torná-lo mais alto. Isso vale até para o caso de tentar revender o veículo depois de certo tempo, porque isso pode ser um fator que dificultaria a sua negociação lá na frente.
Documentação
Se o carro passou em todas as avaliações anteriores, agora é hora de tomar cuidado com a parte mais burocrática. Solicite o documento atual para o dono do carro e utilize as informações (número do chassi, placa e Renavam) para consultar a situação do veículo nos órgãos de trânsito.
Desconfie se o proprietário disponibilizar um documento mais antigo. Isso pode ser sinal de que ele está tentando esconder algum problema. Por meio de uma busca, você consegue verificar se existem multas ou impostos que não foram pagos.
Caso queira, e tenha disponibilidade, também é possível solicitar a chamada vistoria cautelar. Por meio dela, consegue-se descobrir se o veículo já foi furtado, a leilão ou se teve registro de algum sinistro.
Vale destacar que essa questão da documentação é ainda mais importante que identificar problemas mecânicos. A parte visual ou funcional podem ser facilmente resolvidas com um profissional de confiança, mesmo com os prejuízos financeiros que elas podem trazer.
Todavia, um problema com a documentação pode levar bastante tempo até ser solucionado e ainda trazer transtornos maiores para você posteriormente. Nesse caso, mesmo que ele tenha um valor mais baixo, vale a pena evitar e procurar uma alternativa melhor.
Lembre-se sempre que enquanto você não conseguir transferir o carro para o seu nome, ele nunca será realmente seu, do ponto de vista legal. Só por aí já dá para ter uma ideia do abacaxi que pode sobrar para resolver depois, não acha?
E isso vale também se você é a pessoa proprietária do carro, visto que todas as multas que o comprador tomar vão ser repassadas para o seu nome, por exemplo. Isso pode acabar gerando uma disputa judicial posteriormente e, dependendo da situação, até a cobrança de multa para que a transferência seja feita.
Impostos
Você também não pode se esquecer que o pagamento de impostos também faz parte dos custos que um veículo gera anualmente. Então, dependendo do seu orçamento disponível, esse também é um fator que precisa ser considerado ao fazer uma avaliação de carros usados.
IPVA
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores é um valor que os donos de automóveis precisam pagar todos os anos. A arrecadação deve ser aplicada em serviços como segurança, educação e saúde.
Seguro DPVAT
Já o DPVAT é o tributo responsável pelas indenizações por invalidez permanente, morte e depesas médicas decorrentes de acidentes no trânsito, causado por veículos automotores. Ele também é cobrado anualmente, assim como o IPVA.
Taxa de licenciamento
A taxa de licenciamento também ocorre anualmente para o endereço informado pelo proprietário do veículo. Porém, para que isso aconteça, é necessário que não haja nenhum débito em aberto relativo ao IPVA, ao DPVAT, a multas ou à taxa de renovação do licenciamento.
Tipo de carro
A escolha da marca e do modelo de um veículo também faz parte da avaliação e é, talvez, um dos critérios mais difíceis da avaliação. Antes de tudo, você precisa identificar a sua rotina, o que diz tudo sobre a forma como o carro será utilizado.
Se você vai trabalhar todos os dias e pretende fazer pequenas viagens aos finais de semana, por exemplo, o ideal é escolher um modelo mais econômico. Se a família é grande, o ideal é optar por um carro maior, ou, talvez, a minivan é mais adequada. Por outro lado, se é necessário carregar pequenas cargas, uma pickup pode ser a melhor ideia.
A seguir, explicamos melhor a questão da marca e do modelo na avaliação de carros usados e como eles são utilizados na hora de escolher o melhor veículo (além de pagar um bom preço por ele).
Marca
Quanto mais popular for a marca de um veículo, mais chances ele tem de sair rápido em uma revenda. Isso significa que as marcas mais conhecidas e tradicionais no mercado farão mais sucesso que aquelas que entraram recentemente no país.
Porém, você notará que eles sofrem menos desvalorização depois que saem da concessionária. Na prática, isso quer dizer que esses veículos mais populares terão um preço um pouco mais alto que os demais.
Na hora de comprar o carro, você pode levar tudo isso em consideração, além de pensar nas possibilidades de conseguir revendê-lo lá na frente, quando decidir trocar de veículo.
Modelo
Aqui, a lógica é a mesma que explicamos acima: os mais populares têm uma procura maior do que aqueles que são importados ou que são modelos de luxo, por exemplo. Além disso, também não se esqueça de escolher a melhor opção de acordo com as suas necessidades e objetivos.
A tabela Fipe pode ajudar?
Provavelmente, você já ouviu falar da tabela Fipe nas negociações de revenda de carros usados. Isso não é por acaso, já que ela costuma ser usada como uma referência na hora de entender quanto um veículo custa no mercado.
Porém, apesar de ser uma boa ajuda, você precisa entender melhor como ela funciona e como os valores descritos ali devem ser interpretados. O primeiro ponto é que eles não são determinantes para a negociação, ou seja, os vendedores não são obrigados a fechar negócio com o que é sugerido.
Então, é bem provável que você encontre carros com o preço maior do que a tabela indica. Isso vai muito do proprietário e, principalmente, das condições nas quais o veículo se encontra — e aí, concordamos que aqueles que foram muito bem-cuidados, passaram por revisões frequentemente e apresentam um excelente estado de conservação serão mais caros, certo?
Como a tabela funciona
Ela forma o preço dos carros usados com base na média de valor das negociações realizadas no país. Porém, nessa conta, são desconsideradas as negociações que têm uma variação muito grande, como é o caso de carros muito desvalorizados por estarem em um mau estado de conservação.
Além disso, os itens opcionais também são considerados no cálculo, visto que eles podem colocar o preço mais alto do que os mesmos modelos que não contam com esses recursos. Isso vale para jogo de rodas, som, entre outros que não são originais de fábrica.
A precisão dos preços sugeridos na tabela Fipe é tão grande, principalmente no que diz respeito à depreciação, que é ela que é utilizada na hora de calcular qual é o valor do seguro do carro e também do IPVA.
Como você pôde ver, há uma série de critérios que são considerados na hora de fazer a avaliação de carros usados. Existem diversos detalhes que podem tornar o preço mais alto ou mais baixo e saber quais são eles é fundamental para que você consiga comprar ou vender o veículo por um preço mais justo. Na dúvida, sempre utilize a tabela Fipe como parâmetro para saber os valores médios.
Gostou deste artigo e quer saber como avaliar o seu veículo de forma bem prática e rápida? Então, aproveite e descubra agora mesmo quanto ele vale no mercado!