O fim da assimetria de informação
Por muito tempo, a loja foi o lugar onde o cliente aprendia sobre o carro. O vendedor detinha a informação — sobre o modelo, o preço, as condições de financiamento. Essa assimetria dava poder a quem vendia.
Esse modelo acabou.
Hoje, o comprador chega com dados. Ele já sabe o preço médio do modelo que quer. Sabe o que o mercado cobra. Sabe o que o carro tem e o que lhe falta. O ponto de contato com a loja é um dos últimos passos da jornada — não o primeiro.
O que os dados de busca revelam
Dois estudos ajudam a entender essa mudança:
Segundo a Fenabrave, mais de 90% dos compradores de veículos no Brasil pesquisam online antes de visitar uma concessionária. O Think with Google aponta que 95% dos compradores usam o digital como fonte de informação ao longo do processo de compra — e 88% fazem buscas no smartphone dentro da própria loja.
Como também não são buscas só por oferta. O comprador pesquisa:
- Comparativos entre modelos
- Histórico de manutenção e recall
- Como funciona e quais os tipos de financiamento disponíveis
- Avaliações de outros compradores
A pesquisa não precede a visita. Ela a acompanha.
A decisão começa muito antes do contato
Essa mudança tem uma consequência direta para quem vende: o cliente que entra na loja já é um cliente qualificado. Ele não está explorando. Está confirmando.
Não está descobrindo o produto — está buscando confiança para fechar.
O papel do vendedor mudou. Ele deixou de ser o detentor da informação para ser quem dá aval e segurança à decisão que o comprador já quase tomou.
Quem entende isso vende mais. Quem ainda opera no modelo antigo — dando informações que o cliente já tem — cria atrito onde deveria criar confiança.
O que isso muda para lojistas
Se a decisão começa online, a presença digital não é opcional — é estrutural.
Para os lojistas, isso significa mais do que ter perfil no Instagram ou anúncio nos portais. Significa qualidade de informação: fotos reais, descrições completas, detalhadas, histórico do veículo, condições de financiamento claras.
Para nós, em uma plataforma como o NaPista, o foco é de relevância. Aparecer no momento certo — nas buscas certas — exige SEO e GEO robusto. Soluções e ferramentas de busca que respondam às perguntas reais de quem está pesquisando. Descritivos de anúncios construídos para busca por contexto, não só para palavras-chave.
O algoritmo favorece quem resolve a dúvida do comprador. Não quem só lista o produto.
Conclusão
A transformação do mercado de seminovos não é só tecnológica. É comportamental.
O comprador mudou a forma como decide. E o mercado — lojistas e vendedores — ainda está se ajustando a essa nova realidade.
A boa notícia: quem entende esse comportamento tem vantagem competitiva real. A informação está disponível para todos. O que diferencia é saber usá-la.
Sobre o autor
José Boralli é CGO da NaPista, marketplace de veículos usados e seminovos do banco BV. Com mais de 25 anos em publicidade e marketing, atua na interseção entre dados, comportamento do consumidor e estratégia de crescimento no mercado automotivo.
Fontes e referências
- Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (2025)
- Think with Google – Pesquisa sobre jornada de compra automotiva
- Dados internos NaPista (2025) — uso autorizado para fins editoriais