Há alguns anos, uma das grandes modas automotivas era ter um carro rebaixado. A tendência ganhou grande força por causa de filmes como Velozes e Furiosos e jogos como Need for Speed, que valorizavam esse tipo de automóvel.
No entanto, rebaixar um carro não é um processo simples (e, mais importante, não é algo livre de riscos). Se você quer andar com um automóvel rebaixado, precisará lidar com alguma burocracia e entender que pode ter certos problemas no futuro.
Quer saber que procedimento é esse para saber se vale ou não a pena ter um carro rebaixado? Então, siga a leitura deste artigo para entender tudo sobre o assunto!
Como é feito o rebaixamento do carro?
O primeiro passo para ter um carro rebaixado é entender como esse processo é feito. Existem duas partes do procedimento: a burocrática e a mecânica. Cada uma delas tem os seus desafios naturais, claro.
A primeira obrigação burocrática a ser resolvida é ir até ao DETRAN da sua região e pedir uma Autorização Prévia da Autoridade de Trânsito. Esse é o documento que permite a modificação desejada no seu carro. Muitas oficinas, por exemplo, nem aceitam fazer o trabalho sem a apresentação desse documento.
Depois de conseguir a Autorização, você pode ir até a oficina para a modificação (nós falaremos sobre isso em breve). Depois do rebaixamento feito, deverá retornar ao DETRAN para obter o Certificado de Segurança do Veículo (CSV).
Esse documento mostra que, apesar das modificações feitas, o carro está seguro. Para poder emitir esse documento, será preciso fazer uma inspeção em uma instituição credenciada pelo DENATRAN. Depois de obter o CSV, basta emitir novas vias dos seguintes documentos:
- Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV);
- Certificado de Registro do Veículo (CRV);
- documento de porte obrigatório.
Esses documentos devem ser considerados ao calcular os custos com carro rebaixado. No geral, a papelada custa cerca de R$300,00, mas depende de cada caso.
No meio de tudo isso, é preciso escolher uma boa oficina para cuidar da parte mecânica do rebaixamento. Afinal, esse quesito é importante não só para garantir que o automóvel passará pela inspeção, mas para não ter problemas no futuro.
Existem 4 métodos de rebaixamento de carro. São eles:
- suspensão de ar — o sistema usa uma suspensão de ar comprimido. Uma das suas vantagens é que a altura do carro pode ser regulada pelo proprietário;
- molas esportivas — é o mais usado, pois aplica molas criadas especificamente para o rebaixamento de carros. Assim, não há necessidade de modificar nada nos amortecedores;
- abraçadeiras — sendo o mais simples de todos, aplica abraçadeiras que “estrangulam” as molas da suspensão, reduzindo a altura do automóvel. O processo não modifica nenhum outro pronto do carro, o que deve ser feito manualmente pelos mecânicos depois;
- suspensão preparada — esse é o modelo mais customizado, pois consiste em um kit projetado de acordo com as normas em vigor e para cada carro.
Quais são os riscos e as desvantagens?
Agora que você já sabe como ter um carro rebaixado, é hora de entender quais são os seus riscos. Afinal, existe uma razão para os automóveis saírem de fábrica no tamanho original e com aquela configuração de suspensão.
Desgaste do motor
Quando um carro é rebaixado, seu centro gravitacional diminui de posição. O problema disso é que o automóvel foi projetado para organizar o seu peso considerando um centro gravitacional mais alto. Como houve a mudança, existem certas instabilidades que ocorrem na parte mecânica.
Quem sofre com isso é o motor do carro. Na verdade, os coxins do motor. Essas peças são feitas de uma liga de metal, borracha e vinil e ficam posicionados entre o motor e a lataria do carro. A ideia é absorver o tremor a fim de não fazer barulho, nem causar desgaste na peça.
Se o interior do carro está instável porque houve uma mudança no centro gravitacional, os coxins precisam compensar para absorver um impacto desproporcional. Resultado: eles se desgastam rapidamente.
Desgaste da suspensão
A suspensão é a parte do carro rebaixado que mais sofre com esse procedimento. Afinal, o sistema foi todo pensado para funcionar de uma forma, lidar com uma carga específica e estar em uma posição certa. O rebaixamento muda tudo isso e, em alguns casos, pode forçar outras peças do sistema, como os amortecedores.
Isso considerando que o rebaixamento foi feito do jeito correto. Contudo, em muitas oficinas mecânicas esse tipo de serviço é feito sem seguir as normas certas, e os resultados podem ser muito piores para a sua suspensão.
Pior dirigibilidade
Um dos mitos contados por pessoas que rebaixam carro é que a medida ajuda a “fazer a curva” facilmente. Na verdade, isso não acontece. Trata-se do oposto: o rebaixamento diminui a dirigibilidade.
Quem discorda, basta ver o teste prático feito pela Fiat no Salão do Automóvel em 2021. Como descrito pelo jornalista Fabrício Samahá, a montadora italiana deixou que jornalistas dirigissem dois Fiat Bravo: um normal e outro rebaixado.
Nenhum jornalista no evento conseguiu dirigir melhor o Bravo rebaixado do que o normal. Pelo contrário: todos tiveram dificuldades para fazer as curvas, notaram redução na precisão do volante e sentiram o carro mais “duro” do que o normal.
Perda da garantia
Nem todas as modificações feitas em um carro fazem com que você perca a garantia dele, mas uma mudança estrutural como o rebaixamento faz. Ou seja: se o automóvel ainda é novo e está dentro da garantia, não vale a pena rebaixá-lo, pois haverá perda da cobertura em caso de algum problema.
Dificuldade de revenda
Um problema gerado por um carro rebaixado, mas que as pessoas só percebem depois, é a dificuldade de revenda. Afinal, uma modificação dessas é muito pessoal. Não é todo motorista que vai querer um automóvel nas mesmas condições. Sem falar da perda da garantia, não é mesmo?
Por isso, muitos motoristas tentam reverter o rebaixamento e voltar o carro às condições iniciais. No entanto, nem sempre é possível e se torna muito difícil trocar de carro.
Se mesmo depois de todas essas questões você decida rebaixar seu carro, é importante que o faça com segurança. Por isso, veja abaixo alguns cuidados essenciais para garantir menos riscos no processo:
- faça o rebaixamento com uma oficina mecânica de confiança, que segue as regulamentações e os cuidados estruturais do processo;
- faça revisões constantes na sua suspensão;
- evite passar com o carro rebaixado “de lado” na lombada ou quebra-molas;
- use amortecedores especiais para carros rebaixados.
Agora você já sabe quais são os riscos de ter um carro rebaixado e pode decidir se essa é a modificação que realmente quer fazer. Lembre-se de que essa mudança traz consequências e só tome a decisão quando tiver certeza, ok? Assim, evita-se arrependimentos posteriores.
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