Quem compra um carro espera ter segurança na hora de dirigir. No entanto, um dos principais itens de funcionamento do automóvel pode vir prejudicado de fábrica, colocando em risco a proteção do motorista, dos passageiros, e até mesmo de outros condutores e pedestres. Por isso que as montadoras providenciam o recall de veículos.
Mas, afinal, você sabe para que serve essa medida preventiva? Assistimos com frequência às convocações nos meios de comunicação, mas nem sempre compreendemos a real importância de atender a esse pedido.
Pensando em esclarecer essa dúvida, elaboramos este conteúdo sobre o tema. Veja!
O que é recall?
Trata-se de um chamado público feito pelo fabricante para evitar que um componente ou sistema do automóvel manifeste um problema e cause acidentes, o que pode trazer sérios prejuízos para a marca e para os usuários. Em geral, essa medida preventiva envolve modelos mais novos.
Quais são os tipos de recall?
O mais comum é uma espécie de convocação feita por meio de jornais, revistas, TV e internet, para chegar ao maior número possível de motoristas. Em algumas situações, o consumidor é notificado via carta para levar o carro para conserto.
Independentemente da forma de contato, as informações são claras e precisas, mostrando os problemas que o não comparecimento para o reparo pode causar ao proprietário.
Outra modalidade de recall acontece quando a montadora fala com as concessionárias para fazer ajustes sem o conhecimento do dono do automóvel, que pode ocorrer quando ele leva seu veículo para fazer uma revisão de rotina. Mas essa é uma prática incomum atualmente.
Quando existe motivo para recall?
Como prescreve o Código de Defesa do Consumidor (CDC), as empresas não podem disponibilizar produtos ou serviços que sabem apresentar prejuízo ou periculosidade às pessoas.
Ainda conforme a legislação, caso a marca identifique um perigo relacionado à mercadoria após sua chegada no varejo, é sua obrigação informar o fato rapidamente às autoridades competentes e aos clientes, por intermédio de anúncios publicitários.
O que fazer se o seu carro for chamado?
Para atender à convocação, basta agir como se fosse uma revisão convencional. É só entrar em contato com a concessionária, falar sobre o chamado da montadora, agendar o conserto e comparecer ao local na data combinada.
Em algumas situações, é informada a demora no atendimento para o recall, pois o reparo depende do estoque de componentes. Isso pode gerar preocupação na clientela que, para evitar insatisfações, define um dia específico para o início da operação.
Esse procedimento não pode gerar prejuízo para o dono do carro. Ou seja, se você precisar rodar muito para chegar até a concessionária ou perder seu dia de trabalho para levar o automóvel até uma oficina credenciada, terá o direito de solicitar ressarcimento por meios legais.
Por fim, a fabricante deve assumir toda a responsabilidade em caso de acidentes causados por defeitos de fábrica. Segundo o CDC, o dono do veículo tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos.
Como saber se o carro já passou por um recall?
Caso você queira comprar um seminovo, pesquise o histórico do veículo que tem interesse em comprar. O Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON) disponibiliza informações sobre os recalls ocorridos desde 2001. Logo, durante o processo de análise dos carros para decidir qual comprar, faça uma consulta para saber se ele sofreu algum conserto e qual peça foi reparada.
Além disso, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) estabelece critérios para que a documentação do carro informe se ele já teve recall e se o procedimento foi feito no prazo de um ano.
Ainda que o antigo dono não tenha providenciado o reparo, você pode fazê-lo na concessionária ou oficina credenciada pela montadora, sem custo algum.
Existe período de duração?
O recall pode ser feito a qualquer tempo, independentemente de ser um carro zero ou seminovo. No entanto, após cinco anos, o proprietário que não levar o automóvel para conserto perde o direito de abrir reclamação por danos causados pelo componente ou pelo sistema defeituoso.
Por que esses comunicados aumentaram de uns tempos para cá?
Vários fatores contribuíram para o aumento do recall de veículos. O principal é devido à rapidez de produção para bater metas organizacionais e suprir a demanda do mercado. Dessa forma, o período para projetar, desenvolver, validar e lançar novos modelos ficou mais curto.
Somente com um prazo adequado os profissionais (engenheiros, analistas e montadores) podem avaliar e testar em tempo hábil o funcionamento de todas as peças e sistemas.
Outro motivo é a carga tributária do país, que provoca reduções de custos que diminuem a qualidade de alguns itens. Além disso, o uso de novas tecnologias e funcionalidades pode aumentar a frequência de falhas nos primeiros modelos.
Carros na lista de recall perdem valor?
Esse questionamento é frequente quando o assunto é recall. E a resposta é não. Um carro que consta na lista de convocação precisa apenas substituir a peça. Se o procedimento for realizado, o possível defeito será evitado e o automóvel seguirá com sua vida útil ao longo do tempo, sem problema algum. Você, proprietário, não leva prejuízo com isso.
Durante a revenda será averiguado pelo código do chassi se o veículo sofreu ou não recall. Após o serviço de reparo, ficam registradas no manual de funcionamento a vistoria e a troca do componente. Seu bem não é desvalorizado por passar por esse procedimento e também não perde a garantia de fábrica.
Qualquer tipo de defeito precisa de recall?
Não há recall por falha que não seja crítica. Quem decide se existe ou não necessidade de convocar veículos para reparo é o Ministério Público Federal, por meio do departamento de defesa do consumidor. As convocações das montadoras devem ser enviadas para o órgão, que emite um laudo técnico a fim de ordenar os consertos de forma imediata.
Exemplos mais frequentes de chamadas são falhas em airbags, freios, travas, cintos, filtros de combustível, limpadores de para-brisa e interruptores do vidro elétrico.
O recall de veículos não deixa de ser um transtorno e pode acontecer com qualquer motorista. O importante é que as fabricantes estão prontas para sanar o problema e garantir a segurança de todos. Carros usados e novos estão sujeitos a esse procedimento. E você, proprietário, pode separar um tempo para comparecer em uma concessionária autorizada para providenciar o conserto.
Por fim, vale reforçar que o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) pode enviar uma notificação de recall, que deve ser obedecida imediatamente. Se você ignorar o chamado, a informação de reparo em aberto constará no documento de licenciamento do veículo (CRLV) até o procedimento ser realizado.
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