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Entenda a diferença entre itens de série, opcionais e acessórios

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Por José Boralli em 29/07/2021 às 00:00
Atualizado em 29/07/2021 às 00:00
Entenda a diferença entre itens de série, opcionais e acessórios

Se você está pensando em comprar um carro, já deve ter visto por aí os termos itens de série, opcionais e acessórios, não é mesmo? Entender o significado deles é importante para tomar as decisões certas. Até porque as suas escolhas influenciam o preço de compra e ainda podem valorizar o carro na hora da vender.

Basicamente, os itens de série são aqueles elementos que já estão inclusos no preço. Os opcionais são comodidades a mais que podem ser acrescentadas na fábrica, ainda durante o processo de produção. Já os acessórios são instalados pela concessionária depois que o automóvel já estiver pronto.

Quer entender a diferença desses termos e como eles valorizam o carro? Explicamos tudo neste artigo. Confira!

O que são itens de série?

São aqueles itens de fábrica que são produzidos em série — daí o nome — ou seja, em larga escala e de forma padronizada. Você não pode escolher se quer algumas partes do carro ou não porque elas estão na versão de entrada do automóvel. Por exemplo:

  • cintos de segurança de três pontos;
  • barra de proteção nas portas;
  • rodas;
  • pneus;
  • limpador de para-brisas.

Mas isso não significa que todos os carros têm sempre os mesmos itens de série, e que a versão de entrada é tão basicona assim, viu? Na verdade, depende muito de cada marca.

Uma tendência forte entre as montadoras é a produção de versões fechadas cheias de atributos interessantes entre os itens de série. É por tal razão que não é difícil encontrar carros populares bem equipados.

Em geral, modelos básicos são mais baratos. Já os luxuosos têm alto custo, mas já podem vir de fábrica com transmissão automática, direção elétrica, controle de tração, vários airbags, bancos de couro e por aí vai.

O que é importante deixar claro é que a compra de um carro apenas com itens de série não gera gastos extras. Afinal, todos esses elementos estão inclusos no preço base de venda.

É por esse motivo que, geralmente, os anúncios de carros novos vêm sempre acompanhados dos dizeres “a partir de” antes do valor. Esse valor mínimo é referente ao automóvel “pelado”, isto é, apenas com os itens de série.

Vale a pena gastar um pouco mais por uma versão de entrada completa?

O carro ideal para você é sempre aquele que cabe no seu bolso e atende às suas necessidades. Então, se você não tiver condições de comprar uma versão de entrada mais robusta, não tem problema nenhum.

Em alguns casos, é interessante pensar em um seminovo ou usado completo, em vez de investir em um zero-quilômetro com itens de série muito básicos.

Por outro lado, se você tiver um dinheiro extra para gastar, vale a pena pagar por uma versão recheada sim. Isso porque automóveis com componentes originais de fábrica são valorizados pelo mercado. Aí fica tranquilo de passar o carro para frente quando você decidir trocar.

Quais são os itens de série que devo observar na hora de escolher meu carro?

Tem algumas características que não mudam, independentemente se você comprar uma versão completa ou não. São os casos do motor, da direção e do câmbio. Sendo assim, é importante ficar de olho na ficha técnica do carro e entender se as configurações desses itens de série atendem aos seus desejos e às suas necessidades. Entenda!

Motor: 1.0, 1.3, 1.4, 1.6, 1.8 ou 2.0

Na hora de escolher o carro ideal, você precisa pensar na utilidade dele. Quem usa o automóvel para se locomover no dia a dia dentro da cidade, por exemplo, tem necessidades diferentes de quem viaja com frequência.

Carros populares costumam vir com motor 1.0, 1.3 ou 1.4. Eles são econômicos e têm um bom desempenho no perímetro urbano. Se você dirige para trabalhar, para buscar as crianças na escola ou para passear no final de semana, por exemplo, não precisa de versões de potência elevada.

A exceção é só para quem mora em cidades cheias de morros ou quem gosta de encarar trilhas. Carros com motores fracos sofrem para subir ladeiras muito íngremes. Nesse caso, o ideal é contar com motores 1.4 para cima.

Agora, quem costuma pegar a estrada, terá um melhor desempenho e alto conforto se escolher carros com mais cilindradas. Automóveis com motores 1.6, 1.8 e 2.0 arrancam rápido, conseguem fazer ultrapassagens sem dificuldades, são silenciosos e ficam estáveis quando estão em alta velocidade.

Direção: mecânica, hidráulica ou elétrica

O sistema de direção é responsável por transmitir os movimentos do volante para as rodas da frente. É isso que faz o carro virar de um lado para o outro. Existem, basicamente, três tipos de direção: mecânica, hidráulica e elétrica.

A mecânica é a mais dura de todas, e o motorista precisa fazer um baita esforço em curvas e manobras. A sorte é que esse sistema não é utilizado em carros novos. Você vai encontrar a direção manual apenas em usados.

A direção hidráulica é cerca de 80% mais leve se comparada a mecânica, e é o principal sistema usado hoje. O problema é que ela consome potência do motor porque precisa acioná-lo para ativar a bomba hidráulica.

a direção elétrica é ainda mais leve, confortável e econômica. Você pode sentir no test drive. E como ela funciona com base em uma central eletrônica, o motor não perde desempenho.

Câmbio: manual ou automático

O câmbio — também conhecido como transmissão — é o equipamento que permite o controle de força e de velocidade do carro. Esse domínio é feito por meio da troca de marchas que pode ser manual ou automática.

Um carro de transmissão manual é aquele tradicional em que você precisa pisar na embreagem e usar o câmbio para mudar as marchas. Eles são mais baratos e fáceis de manter, mas exigem uma maior habilidade do motorista.

Já o automático não tem pedal de embreagem. Nesse caso, o câmbio faz a mudança sozinho à medida que você pisa no acelerador e o carro ganha velocidade. Um automóvel com esse tipo de transmissão tem custo alto, mas, por outro lado, facilita a vida do motorista.

Enfim, observar os atributos desses itens de série antes da compra é fundamental porque não dá para mudar depois. Se você comprar um carro 1.0 e perceber que necessita de mais potência, por exemplo, precisará trocar de carro. Só depois de bater o martelo sobre esses quesitos que você pode partir para o próximo passo: os adicionais. Entenda seguir!

O que são opcionais?

São elementos extras incorporados ao carro ainda na fábrica durante o processo de produção. Eles são opcionais porque você pode escolher se quer instalá-los ou não.

Mas não é de graça, viu? A inclusão desses itens deixa o automóvel mais caro. Por exemplo:

  • desembaçador com ar quente;
  • central multimídia (alto-falantes, comando de voz por Bluetooth, volante com botões para controlar o rádio e o telefone etc.);
  • airbags extras;
  • capota para utilitários;
  • porta-luvas iluminado;
  • bancos de couro.

Assim como os itens de série, nem todos os carros têm o mesmo leque de opcionais. Existem modelos de carros populares sem ar-condicionado, por exemplo, que nem oferecem a opção de adicionar esse componente. Nesse caso, é bom escolher uma versão de entrada que já vem com esse item.

Além do mais, tem alguns opcionais que são restritos a determinados modelos e versões. Não dá para colocar teto-solar em qualquer carro, por exemplo — a não ser que faça um acréscimo no mercado paralelo. Isso quer dizer que se você fizer questão dessa comodidade, precisa escolher um modelo e uma versão que já venha com ela de série ou disponibilize o adicional.

Quais são os itens opcionais que podem valorizar o meu carro?

O fato é que os opcionais encarecem o carro. Por outro lado, eles deixam o automóvel mais confortável e atrativo aos olhos de quem quer comprar. A questão aqui é que essa valorização só acontece se você escolher os itens certos. Veja, a seguir, quais são os opcionais que apresentam melhor custo-benefício e que são apreciados no mercado de compra e venda.

Pintura metalizada

Geralmente, as montadoras elegem cores básicas para virar item de série, sabe? O tom pode variar de acordo com a marca e com o modelo de cada automóvel. Se você quiser qualquer coisa diferente, precisa pagar por ela. É por isso que a pintura pode ser considerada como um opcional.

No geral, a pintura que não envolve custos extras é sólida, como preto, branco ou vermelho. Veja bem, essas cores não são ruins. O ideal mesmo é evitar apenas aquelas chamativas, como o amarelo, verde e azul.

No entanto, se você quiser investir já pensando na valorização, pode apostar nas pinturas metalizadas, como a prata. É uma das cores mais populares porque camufla bem a poeira e eventuais riscos na lataria. Então, quando for trocar de carro, essa característica facilitará a venda.

Ar-condicionado

O ar-condicionado já foi considerado um luxo, mas caiu no gosto popular e já é visto como equipamento indispensável. A razão é simples: ele oferece um conforto térmico legal, principalmente para quem mora em regiões quentes.

Por causa dessa valorização toda, vários modelos populares já vêm com ar-condicionado como item de série. Então preste atenção nisso na hora da comprar. O ideal é escolher um carro que já tenha o equipamento incluso na versão de entrada ou que a instalação do opcional esteja disponível.

Sistema multimídia

Esse opcional reúne diversas funcionalidades de mídia em um único painel. Dá para ouvir música, chegar ao local de destino com auxílio do GPS, atender ligações sem nem tocar no celular, usar a câmera de ré para estacionar etc.

São funcionalidades para entretenimento, conforto e segurança que ajudam na qualidade de vida dos motoristas, principalmente daqueles enfrentam trânsito pesado no dia a dia. 

A central, geralmente, inclui a instalação de alto-falantes, tweeters, antena, botões de controle no volante, bluetooth, GPS, tela sensível ao toque, entre outros.

Sensor de estacionamento

O sensor oferece segurança ao motorista porque evita que o carro encoste em paredes, postes ou em outro automóvel na hora de estacionar. A tecnologia emite um alerta sonoro — “beep” — que aumenta de intensidade à medida que o carro se aproxima de um obstáculo.

No mercado paralelo, esse equipamento é vendido por um preço bem em conta, se comparado ao acréscimo ainda na fábrica. O problema é que a instalação posterior pode causar superaquecimento e curto elétrico, uma vez que a fiação não foi dimensionada antes para receber esse componente. É aquela história: o barato que sai caro!

Quando o item é instalado ainda na linha de montagem, ele é integrado ao sistema elétrico e “conversa” com outras funcionalidades, sabe? Se a ré for engatada, por exemplo, o volume do rádio é baixado automaticamente para que o motorista escute bem o apito do sensor. Em alguns casos, o painel multimídia até mostra a distância exata entre o automóvel e o obstáculo. Melhor assim, não é mesmo?

Teto-solar

O teto-solar aumenta a luminosidade dentro do carro e ajuda na ventilação. Sem contar no design que agrega estilo. Essas são algumas razões de ele ser tão valorizado.

Na hora de pagar você pode ter que desembolsar cerca de R$7.000,00 por essa comodidade. Na hora de vender, todo esse investimento é recuperado — às vezes até com um extra. No mercado de seminovos e usados, um modelo com teto-solar pode custar R$10.000,00 a mais se comparado com uma mesma versão sem o opcional.

Mas essa regra só vale se o item for de fábrica mesmo, viu? Um teto-solar instalado em um automóvel que não tem essa predisposição original pode fazer o oposto: reduzir o preço de venda.

Outra coisinha: nem sempre esses adicionais são vendidos sozinhos. Em geral, o que se encontra são combos que reúnem diversas funcionalidades. O sensor de estacionamento, por exemplo, muitas vezes, é vendido dentro da solução multimídia. Já o kit com teto-solar pode ter airbags no pacote.

Posso deixar para instalar os adicionais depois da compra?

Lembra que já falamos que os opcionais são adicionados na fábrica, durante o processo de produção? Logo, o ideal é que ele seja instalado na compra, e não depois.

Existe uma razão para tal: todo carro tem um projeto estrutural para comportar cada equipamento previsto no modelo e versão do automóvel. Se você deixar a instalação para depois, pode acontecer problemas de compatibilidade.

Aí será necessário fazer “gambiarras” e o carro não terá equipamentos com o mesmo padrão de qualidade do original. Além do mais, você pode perder a garantia se fizer modificações fora das autorizadas.

Em resumo, é possível instalar alguns opcionais depois, mas não é recomendado. Carros com itens originais de fábrica costumam ser mais valorizados. Portanto, o ideal é que os opcionais sejam instalados na compra. O que pode ser instalado depois são os acessórios. Mas isso é assunto para o próximo tópico.

O que são acessórios?

Diferentemente dos itens de série e opcionais que são incluídos ao carro ainda na fábrica, os acessórios são instalados pelas concessionárias depois que o carro já está pronto. É o caso de:

  • calha de chuva;
  • pedaleira esportiva;
  • adesivo lateral;
  • friso lateral cromado;
  • calotas;
  • acendedor de cigarro.

Até mesmo os tapetes de borracha são considerados acessórios. Essa foi uma maneira encontrada pelas montadoras para reduzir o custo dos carros. Muitas vezes, as concessionárias oferecem esses itens como brinde para cativar o consumidor e incentivar a compra.

Os acessórios ainda podem complementar alguns itens de série e opcionais. Tem carro que vem apenas com a predisposição para rádio que inclui a instalação de antenas, alto-falantes, tweeters etc. Nesse caso, o aparelho de som em si entra como acessório e você precisa comprá-lo para conseguir ouvir música.

A originalidade dos acessórios faz diferença?

Faz sim! Acessórios originais foram desenvolvidos especialmente para aquele modelo e marca de carro. São garantias de qualidade, funcionalidade e segurança de uso.

Comprar acessórios em lojas independentes ou na internet sai bem mais barato. O problema é que o dinheiro que você investe nesses itens não agrega valor na hora de vender.

E mesmo sendo original é bom evitar extravagâncias, viu? Aerofólios, spoilers e rodas esportivas, por exemplo, fazem a cabeça de muita gente, mas nem todo mundo gosta desses acessórios. Isso reduz a possibilidade de encontrar o comprador ideal e pode desvalorizar o carro.

Por que a aprovação do fabricante é crucial?

Porque você pode perder a garantia de fábrica se colocar no carro acessórios que não são homologados pela marca. Não vale a pena perder esse direito só para investir menos em um sensor de estacionamento, não é mesmo?

Além disso, tem a questão da instalação. O ideal é mandar arrumar tudo na concessionária ou em uma autorizada para garantir a qualidade do serviço. Se um equipamento original for instalado incorretamente, a garantia é perdida de todo jeito.

No entanto, você só perde a proteção de fábrica do sistema que foi afetado pela adaptação. Se você colocar um adesivo irregular e, assim, acabar estragando a pintura, por exemplo, a garantia da parte elétrica é mantida.

Como ter certeza de que o acessório é aprovado pela engenharia veicular?

Nem todos os acessórios vendidos pelas próprias concessionárias são homologados. Portanto, é importante pedir comprovantes de que o equipamento que você pretende adicionar é, de fato, aprovado pela montadora.

Na dúvida, leia o manual do automóvel ou ligue para o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do fabricante para pedir informações sobre isso. Afinal de contas, o ideal é se prevenir agora e não ter de enfrentar problemas depois.

Além do mais, não é apenas com a garantia que você precisa se preocupar. Existem alguns acessórios que são proibidos pela legislação de trânsito brasileira que é essencial ficar de olho.

O insulfilm, por exemplo — película usada para escurecer os vidros, bloquear os raios do sol e garantir o conforto térmico — precisa obedecer aos limites de transparência estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Descumprir a resolução é uma infração grave, e o dono do carro pode ser multado, além de receber cinco pontos na carteira.

Outro caso típico é o farol de xenon. O item só é permitido quando for de fábrica, porque conta com um sistema antiofuscamento. Sem essa medida de segurança, motoristas e pedestres ficam sem visibilidade por causa da luz mega brilhante. É por isso que o acessório é proibido.

Afinal, qual é a importância de entender a diferença entre itens de série, opcionais e acessórios?

A questão é que todos influenciam no preço de compra e venda do carro. Entender a diferença entre os termos é fundamental para que você saiba como minimizar a desvalorização natural sofrida ao longo dos anos.

O fato é que um carro começa a perder valor assim que sai da concessionária. Porém, aqueles que têm itens de série e opcionais interessantes tendem a sofrer menos com a depreciação.

Então, na hora de comprar um carro zero-quilômetro, é importante observar se esses atributos atendem às suas necessidades. Assim, não será necessário fazer adaptações que podem fazer o preço de venda despencar.

Tenha em mente que um carro que já vem completo de fábrica vale mais do que aquele que tem os mesmos atributos, mas que foram adicionados de forma irregular. A escolha dos acessórios também é importante. Eles podem alterar o preço de venda — para cima ou para baixo.

Itens de segurança — como alarme e travas elétricas — costumam valorizar o carro. Já os elementos estéticos extravagantes podem descaracterizar a versão original. Isso dificulta a venda porque o comprador precisa ter um gosto muito específico. Carros assim podem demorar para serem vendidos e o preço fica bem abaixo ao indicado na tabela Fipe.

Mais: ter esse conhecimento é importante para quem pretende comprar um carro usado. Ao pesquisar os atributos de série e comparar com a versão à venda, é possível identificar quais as características que são originais de fábrica. Daí, você terá condições de avaliar se o modelo vale mesmo o preço que o vendedor pede e criar bons argumentos para negociar.

Entender a diferença entre itens de série, opcionais e acessórios é importante para você tomar decisões acertadas. Afinal de contas, esses elementos influenciam o preço do carro, mas nem sempre agregam valor a ele. Ter conhecimento sobre o assunto permite que você invista nos atributos certos para minimizar os efeitos da desvalorização natural de qualquer automóvel.

Gostou do nosso artigo? Então, que tal seguir vendo dicas de como fazer escolhas inteligentes? Fique mais um pouquinho no blog e leia sobre o que avaliar ao comprar o carro ideal para você!

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